“VIVER EM SI" é uma forma de olhar a realidade sem distorce-la, levando o indivíduo a reintegrar a sua própria unidade, promovendo alegria e a determinação de tornar a vida um espaço-tempo para realizar a si mesmo. É descobrir o prazer nas relações humanas sem sujeição. É ter a disposição e a coragem de fundamentar a vida no próprio querer. “VIVER
EM SI” é a compreensão de que o esforço
de realizar a expectativa do outro a seu respeito ou que o cumprimento
de um papel social que você mesmo se determinou acatar são
atitudes manipuladoras que se pratica para conquistar a aprovação
do outro. É um equívoco quanto ao que, de fato, acontece
na realidade, já que o resultado que se obtém destes esforços
é, tão somente, a aceitação, pelo outro, de
um “papel” que foi desempenhado e não a aceitação
do próprio indivíduo. E, por ser assim, não há
aquele que não sofra por, no seu íntimo, saber que se tivesse
agido pelo seu querer e não por uma estratégia de manipulação,
provavelmente, não teria sido aceito, não teria sido respeitado
e considerado. “VIVER EM SI” é livrar-se de uma educação equivocada que não nos preparou para lidar com a realidade como ela é, transformando, assim, a vida num tempo de frustrações, indignação, proporcionando sentimentos de invalidação, rejeição, abandono e medo. É voltar a dirigir a própria vida ao invés de ser fantoche de mecanismos instalados na mente há anos. Mecanismos que só diminuem e limitam o indivíduo sem ele próprio entender como. Mecanismos que o mantém numa prisão de segurança máxima, cujas grades de ferro são transparentes. Como foi desenvolvido o “VIVER EM SI”? Através de anos de estudo do pensamento humano e de muitas vivências com técnicas e táticas de acessar o conteúdo da mente; muita observação do comportamento humano nas variadas situações da vida e, principalmente, muita mas muita conversa honesta com pessoas de todas as classes e níveis sócio-econômico e culturais. Todos estes anos de busca para desvendar: o que é o homem? que motivações o levam à ação? o que é um sentimento, uma emoção? acabaram delineando uma forma de pensar e de viver, onde o entendimento central é de que coisa alguma tem um significado intrínseco a si próprio e que diferentes pontos de vista mudam a relação do indivíduo com os fatos. O significado é imposto a uma realidade (um evento, uma pessoa) pelo sujeito que a experimenta. Isto é facilmente observável, pois uma mesma situação vivida por várias pessoas é interpretada de forma singular por cada um desses indivíduos, podendo ser traumática para um, encorajadora para outro ou, até mesmo, despertar a fúria de um terceiro. O importante é que cada indivíduo reconheça como ele se relaciona com um evento, tendo a clareza de admitir que a sua compreensão desse fato é alcançada pela decodificação pessoal que ele faz desse acontecimento e que esta interpretação é determinada pelos valores por ele introjetados; ou seja, por como ele se vê e o que ele criou de expectativas para viver. Isto inclui como ele deve ser tratado pelo outro, como ele deve se comportar e se sentir e, ainda, como a realidade deveria acontecer para ele. A grande percepção do “VIVER EM SI” é que estes valores introjetados seguem uma lógica que pode ser transformada por uma expansão da compreensão de si próprio. É como se o homem fosse uma nebulosa indefinida que reage automaticamente à realidade. A mente sem ser trabalhada - e sendo fruto de uma educação equivocada - é um continuum de pensamentos incontroláveis. As análises e conjecturas mentais determinam como o ser humano se sente, podendo leva-lo tanto à empolgação quanto à depressão. Na medida em que cada aspecto desta nebulosa é estudado, ganha-se nitidez e discernimento; alcança-se o auto-respeito e se pode escolher como se quer sentir-se. Um olhar objetivo e confiante para a realidade substitui as dúvidas e conflitos internos. É a real possibilidade de sair das mãos do insaciável carrasco autocrítico que todos trazem em si para tornarem-se livres dos conseqüentes boicotes e inibições indesejáveis que ele origina. “VIVER
EM SI”, embora não use uma linguagem acadêmica
na sua prática, tem os mesmos princípios da antropologia
cultural estruturalista, da gestalt terapia, da filosofia budista e a
mesma compreensão da realidade que a física quântica
propõe. |